"O paraíso é aqui",
disse Américo
Vespúcio quando abordou aquela
ilha deserta em l0 de agosto de 1503.
No ano seguinte, o rei D. Manuel resolveu
dá-la de presente ao fidalgo
que financiara a expedição
de Vespúcio, um tal de Fernão
de Loronha.
O homem nem se deu ao trabalho de
conhecer seus domínios. Sem
ter quem zelasse por ela, gente de
muitos povos cobiçariam a ilha
e, dentre eles, foram os holandeses
os primeiros a apossarem-se dela de
1629 a 1654. E a ela chamaram "Pavônia",
pela latinização do
nome daquele que a arrendou, o holandês
Michiel de Pavw.
Expulsos os holandeses, a ilha permanece
abandonada. A pirataria continua.
Os franceses da Cia. das Índias
Ocidentais preparam - cuidadosamente
- a invasão e posse do arquipélago,
no século seguinte (em 1736).
E permanecem um ano na ilha que rebatizaram
como "Isle Delphine" (numa
clara referência aos golfinhos
que ali viviam).
Só então Portugal percebe
o quão estratégica era
a localização de Fernando
de Noronha. E, temendo que,
sendo ela dominada, ficasse fácil
a tomada da nova colônia, ordena
que a Capitania de Pernambuco expulse
os franceses, assuma a ilha e inicie
sua colonização. Fernando
de Noronha serviu como presídio
e foi Território Federal, governado
pelos militares, por 46 anos. Hoje
é um Distrito Estadual, pertencente
ao Estado de Pernambuco.
O arquipélago
de Fernando de Noronha
É constituído por 21
ilhas, rochedos e ilhotas com um total
aproximado de 26 km2, tendo a ilha
principal a extensão de 17
km2. As praias de Fernando de Noronha
são divididas em 'praias do
mar de dentro' e 'praias do mar de
fora'. As praias do 'mar de dentro'
são as que se encontram entre
a costa da ilha e a costa do Brasil.
As 'de fora' são as que estão
voltadas para o mar aberto.
Dentro das praias do 'mar de dentro',
podemos destacar a Baía dos
Golfinhos. Partindo-se da praia da
baía do Sancho, após
1 km a pé, pode-se desfrutar
de um das maiores atrações
do Arquipélago. Embora proibida
para banhos de mar, nela pode-se ver
o espetáculo de dezenas de
golfinhos nadando num verdadeiro balé
de saltos e curvas.
Além de golfinhos, o visitante
de Fernando de Noronha pode aproveitar
o contato com a natureza para praticar
esportes, como o surf, por exemplo.
Algumas praias são boas para
os amantes das ondas, como a Baía
do Boldró, que, apesar de ser
excelente para o banho de mar, (por
ser pontilhada por recifes de coral
formando inúmeras piscinas
naturais) possui, nas áreas
sem recifes, ondas que são
fortes e ideais para a prática
do surf, pois chegam a ter 5 metros.
Também a Praia da Conceição,
localizada na base do Morro do Pico,
é uma excelente opção
para a prática do surf no período
de novembro a março e banho
de mar nos outros meses do ano. Não
poderíamos deixar de mencionar
a Praia do Bode, que, com seu mar
agitado, nos meses de dezembro a março,
faz com que se possa classificá-la
como muito boa para a prática
do surf. Ou ainda a Cacimba do Padre,
que, no período de novembro
a março é uma das melhores
praias para a prática do surf.
Mas nem só de golfinhos e surf
são feitas as praias do Arquipélago.
Quem vai a Fernando de Noronha não
deve deixar de levar o equipamento
para mergulho livre (máscara,
snorkel e nadadeiras) para se curtir
as praias da ilha.
Todas as praias do mar de dentro e
algumas do mar de fora, são
ótimas para mergulho livre.
O Arquipélago de Fernando de
Noronha é o principal e mais
belo parque marinho brasileiro, sendo
considerado como um dos melhores lugares
para a prática de mergulho
do mundo. Aqui, de um modo geral,
pode-se desfrutar de uma visibilidade
de até 50 metros.
Uma dessas praias é a Praia
do Sancho, situada na baía
do mesmo nome. O seu acesso é
feito por mar ou por terra. É
uma praia excelente para a prática
do mergulho livre e ponto de parada
dos passeios de barco. Ou também
a praia da Baía de Santo Antônio,
que, pelo fato do seu mar apresentar
os vestígios de um naufrágio,
caracteriza-se como um dos mais procurados
pontos para a prática do mergulho
livre. Na baía fica situado
o porto de carga e descarga de embarcações
e dela pode-se descortinar uma das
belas vistas panorâmicas das
principais ilhas que compõem
o arquipélago. A praia é
cercada por pedras negras e lisas
de origem vulcânica, apresenta
piscinas naturais rasas, águas
claras e com muito boa visibilidade,
principalmente para os muitos cardumes
de peixes coloridos. Dentre as praias
do 'mar de fora'se encontra a Praia
da Baía Sueste, considerada
a melhor praia para banhos do Arquipélago
em razão do seu mar calmo e
ondas suaves.
Algumas praias estão proibidas
para o banho de mar, como a praia
do Buraco da Raquel, ou a Ponta das
Caracas, e outras, como a Praia da
Quixabinha, se apresentam um pouco
perigosas por causa das correntes,
fortes e próximas à
areia.

História
Fernando de Noronha não possui
um folclore que transcende a ilha,
mas possui história, contada
em alguns de seus monumentos. Um desses
monumentos é o Forte de Nossa
Senhora dos Remédios, velha
fortaleza construída em 1737,
sobre as ruínas do antigo reduto
holandês de 1629. É a
principal das dez fortificações
erguidas para a defesa da ilha. Serviu
para recolher prisioneiros e aquartelar
soldados. Foi tombado pela IPHAN (hoje
IBPC), em 1961. Outro desses monumentos
é a Igreja de Nossa Senhora
dos Remédios. Concluída
em 1772, é o principal templo
católico da ilha. Tombada pela
SPHAN em 1981, completamente restaurada
em 1988, revitalizada pela pintura
e pela iluminação noturna,
em 1997. As festas do Arquipélago
também não são
divulgadas no continente, mas o mês
de agosto se apresenta bastante atrativo,
contando com o aniversário
da ilha, no dia 10, o dia de Nossa
Senhora dos Remédios, 29, e
o campeonato de pesca, sem data definida.
Esse é um lindo momento para
sentir como vive e festeja um ilhéu.
Alimentação e outros
detalhes
Todos os produtos de consumo e alimentos
são trazidos do continente
de navio.
Isto encarece muito os produtos. Mas
se você souber procurar e não
for aos lugares óbvios, você
poderá encontrar a cervejinha
ou o coco verde gelado, nos mesmos
moldes do continente.
O Arquipélago possui um pouco
mais de vinte bares e lanchonetes,
e alguns restaurantes, onde se podem
provar deliciosos frutos do mar.
Uma curiosidade da ilha é a
falta de banho quente. Devido ao fato
da energia elétrica da ilha
ser proveniente de geradores a diesel
e de toda a água da ilha vir
da captação da água
das chuvas, criou-se uma solução
inteligente: Os banhos de chuveiro
elétrico foram banidos da ilha.
Desta forma, economiza-se energia
elétrica, - por sua não
utilização - e água
- pois é difícil para
a maioria, tomar longos banhos de
água fria.