As Festas Juninas,
são tradicionalmente homenagens a três
santos católicos, são eles: Santo
Antônio (dia 13), São
João (24 de junho), São
Pedro e São Paulo
(dia 29). Como surgiram tais comemorações
?
Se pesquisarmos a origem dessas festividades,
perceberemos que elas remontam a um tempo muito
antigo, anterior ao surgimento da era cristã.
De acordo com o livro O Ramo de Ouro, de sir
James George Frazer, o mês de junho, tempo
do solstício de verão (no dia
21 ou 22 de junho o Sol, ao meio-dia, atinge
seu ponto mais alto no céu, esse é
o dia mais longo e a noite mais curta do ano)
no Hemisfério Norte, era a época
do ano em que diversos povos - celtas, bretões,
bascos, sardenhos, egípcios, persas,
sírios, sumérios - faziam rituais
de invocação de fertilidade para
estimular o crescimento da vegetação,
promover a fartura nas colheitas e trazer chuvas.
Mesmo que no Brasil
essa época marcasse o início do
inverno, ela coincidia com a realização
dos rituais mais importantes para os povos que
aqui viviam, referentes às colheitas e
à preparação dos novos plantios.
O período que vai de junho a setembro é
a época da seca em muitas regiões
do Brasil, quando os rios estão baixos
e o solo pronto para enfrentar o plantio, que
segue a seqüência: derrubada da mata,
queima das ramagens para limpar o terreno e adubá-lo
com as cinzas e plantio. É a técnica
da coivara, tão difundida entre os povos
do continente americano.
Nessa época
os roçados velhos, do ano anterior, ainda
estão em pleno vigor, repletos de mandioca,
cará, inhame, batata-doce, banana, abóbora,
abacaxi, e a colheita de milho, feijão
e amendoim ainda se encontra em período
de consumo.
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Esse é um tempo bom para pescar
e caçar. Uma série ritual, que dura
todo o período, inclui um conjunto muito
variado de festas que congregam as comunidades
indígenas em danças, cantos, rezas
e muita fartura de comida. Deve-se agradecer a
abundância, reforçar os laços
de parentesco (as festas são uma ótima
ocasião para alianças matrimoniais),
reverenciar as divindades aliadas e rezar forte
para que os espíritos malignos não
impeçam a fertilidade. O ato de atear fogo
para limpar o mato, além de fertilizar
o solo, serve principalmente para afastar esses
espíritos malignos.
Houve, portanto, certa coincidência entre
o propósito católico de atrair os
índios ao convívio missionário
catequético e as práticas rituais
indígenas, simbolizadas pelas fogueiras
de São João.
Talvez seja por causa disso que os festejos
juninos tenham tomado as proporções
e a importância que adquiriram no calendário
das festas brasileiras.
As
relações familiares eram complementadas
pela instituição do compadrio, que
servia para integrar outras pessoas à família,
estreitando assim os laços entre vizinhos
e entre patrões e empregados. Até
mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos
senhores de terra.
Havia duas formas principais de tornar-se compadre
e comadre, padrinho e madrinha: uma era, e ainda
é, através do batismo; a outra,
através da fogueira. Nas festas de São
João, os homens, principalmente, formavam
duplas de compadres de fogueira: ficavam um de
cada lado da fogueira e deveriam pular as brasas
dando-se as mãos em sentido cruzado.
Os laços
de compadrio eram muito importantes, pois os padrinhos
podiam substituir os pais na ausência ou
na morte destes, os compadres integravam grupos
de cooperação no trabalho agrícola
e os afilhados eram devedores de obrigações
para com os padrinhos. A instituição
beneficiava os patrões, que tinham um séquito
de compadres e afilhados leais tanto nas relações
de trabalho como nas campanhas políticas,
quando se beneficiavam do voto de cabresto.
Hoje as festas
juninas possuem cor local. De acordo com a região
do país, variam os tipos de dança,
indumentária e comida. A tônica é
a fogueira, o foguetório, o milho, a pinga,
o mastro e as rezas dos santos.
No Nordeste sertanejo, o São João
é comemorado nos sítios, nas paróquias,
nos arraiais, nas casas e nas cidades. A importância
dessa festa pode ser avaliada pelo número
de nordestinos e turistas que escolhem essa época
do ano para sair de férias e participar
dos festejos juninos.
Na Amazônia
cabocla, a tradição de
homenagear os santos possui um calendário
que tem início em junho, com Santo Antônio,
e termina em dezembro, com São Benedito.
Cada comunidade homenageia seus santos preferidos
e padroeiros, com destaque para os santos juninos.
São festas de arraial que começam
no décimo dia depois das novenas e nas
quais estão presentes as fogueiras, o foguetório,
o mastro, os banhos, muita comida e folia.
A tradição
caipira, especialmente a do Sudeste do
Brasil, caracteriza-se pelas festas realizadas
em terreiros rurais, onde não faltam os
elementos típicos dos três santos
de junho. Mas elas também se espalharam
pelas cidades e hoje as festas juninas acontecem,
principalmente, em escolas, clubes e bairros.
Como em outras partes do Brasil, o calendário
das festas paulistas destaca os rodeios e as festas
de peão boiadeiro como eventos ou espetáculos
mais importantes, que se realizam de março
a dezembro.
As festas juninas,
com maior ou menor destaque, ainda são
realizadas em todas as regiões do Brasil
e representam uma das manifestações
culturais brasileiras mais expressivas.
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