Em
1935 obtém seu primeiro reconhecimento
no exterior, a Segunda menção
honrosa na exposição internacional
do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados
Unidos, com uma tela de grandes proporções
intitulada CAFÉ, retratando
uma cena de colheita típica de sua
região de origem.

Café - 1925 - Oleo sobre tela -
130 X 195 cm. Museo Nacional de Bellas Artes
de Rio de Janeiro
A inclinação
muralista de Portinari revela-se com vigor
nos painéis executados no Monumento
Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro
- São Paulo (na hoje Via Dutra), em
1936, e nos afrescos do novo edifício
do Ministério da Educação
e Saúde, realizados entre 1936 e 1944.
Estes trabalhos, como conjunto e como concepção
artística, representam um marco na
evolução da arte de Portinari,
afirmando a opção pela temática
social, que será o fio condutor de
toda a sua obra a partir de então.
Companheiro de poetas, escritores, jornalistas,
diplomatas, Portinari participa da elite intelectual
brasileira numa época em que se verificava
uma notável mudança da atitude
estética e na cultura do país:
tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas
Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades
soube cercar-se da nata da intelectualidade
brasileira de seu tempo.
No final da
década de trinta consolida-se a projeção
de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa
três grandes painéis para o pavilhão
do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste
mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova
York adquire sua tela O MORRO.
Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana
no Riverside Museum de Nova York e expõe
individualmente no Instituto de Artes de Detroit
e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com
grande sucesso de público, de crítica
e mesmo de venda (menor das preocupações
do Artista...)
Em dezembro
deste ano a Universidade e Chicago publica
o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI,
HIS LIFE AND ART, com introdução
do artista Rockwell Kent e inúmeras
reproduções de suas obras. Em
1941, Portinari executa quatro grandes murais
na Fundação Hispânica
da Biblioteca do Congresso em Washington,
com temas referentes à história
latino-americana. De volta ao Brasil, realiza
em 1943 oito painéis conhecidos como
SÉRIE BÍBLICA,
fortemente influenciado pela visão
picassiana de Guernica e sob o impacto da
2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite
do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras
de decoração do conjunto arquitetônico
da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de
Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO
FRANCISCO e a VIA SACRA,
na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo
e os horrores da guerra reforçam o
caráter social e trágico de
sua obra, levando-o à produção
das séries RETIRANTES
e MENINOS DE BRODOSWKI, entre
1944 e 1946, e à militância política,
filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro
e candidatando-se a deputado, em 1945, e a
senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta
a Paris para realizar sua primeira exposição
em solo europeu , na Galerie Charpentier.
A exposição teve grande repercussão,
tendo sido Portinari agraciado, pelo governo
francês, com a Légion d!Honneur.
Em 1947 expõe no salão Peuser,
de Buenos Aires e nos salões da Comissão
nacional de Belas Artes, de Montevidéu,
recebendo grandes homenagens por parte de
artistas, intelectuais e autoridades dos dois
países.
O final da
década de quarenta assinala o início
da exploração dos temas históricos
através da afirmação
do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se
no Uruguai, por motivos políticos,
onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA
NO BRASIL, encomendado pelo banco
Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande
painel TIRADENTES, narrando
episódios do julgamento e execução
do herói brasileiro que lutou contra
o domínio colonial português.
Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950,
a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio
Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.
Em
1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia,
realiza outro painel com temática histórica,
A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA
À BAHIA e inicia os estudos
para os painéis GUERRA E PAZ,
oferecidos pelo governo brasileiro à
nova sede da Organização das
Nações Unidas. Concluídos
em 1956, os painéis, medindo cerca
de 14x10 m cada - os maiores pintados por
Portinari - encontram-se no "hall" de entrada
dos delgados de edifício-sede da ONU,
em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de
ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts
Council de Nova York como o melhor pintor
do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel,
a convite do governo daquele país,
expondo em vários museus e executando
desenhos inspirados no contado com recém-criado
Estado Israelense e expostos posteriormente
em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro.
Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio
Guggenheim do Brasil em 197, a Menção
Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela
do Hallmark Art Award, de Nova York. No final
da década de cinqüenta, Portinari
realiza diversas exposições
internacionais. Expõe em Paris e Munique
em 1957. É o único artista brasileiro
a participar da exposição 50
ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des
Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado
de honra, expõe 39 obras em sala especial
na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade
do México, em 1958. No mesmo ano ainda,
expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe
na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente
com outros grandes artistas americanos como
Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa
da exposição COLEÇÃO
DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo
de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari
morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando
preparava uma grande exposição
de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura
de Milão, vítima de intoxicação
pelas tintas que utilizava.
Cronologia
1903 - Nasce
em Brodósqui (Brodowski), perto de
Ribeirão Preto, interior de São
Paulo, no dia 13 de dezembro, filho de imigrantes
toscanos que trabalhavam na lavoura de café.
Cândido teria dez irmãos - seis
mulheres e quatro homens;
1914 - Cria
sua primeira gravura, um retrato do compositor
Carlos Gomes, em carvão, copiando a
imagem de uma carteira de cigarros;
1919 - Matricula-se
na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio.
Em sérias dificuldades financeiras,
Candinho chega a comer a gelatina química
que recebe para misturar com as tintas;
1923 - Pinta
"Baile na Roça", sua primeira tela
de temática nacional. O quadro é
recusado pelo salão oficial da Escola
de Belas Artes, por fugir dos padrões
acadêmicos da época;
1929 - Como
prêmio do Salão Nacional de Belas
Artes, que obteve com um retrato do amigo
(poeta) Olegário Mariano, ganha uma
bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall,
os muralistas mexicanos e sofre fortes influências
do trabalho de Picasso;
1931 - Volta
da França casado com a uruguaia Maria
Victoria Martinelli;
1935 - Produz
uma de suas obras mais famosas, "O Café"
e inicia a que é considerada sua fase
áurea (1935-1944);
1936 - Começa
a dar aulas de pintura na Universidade do
Distrito Federal;
1939 - Em 23
de janeiro nasce seu único filho, João
Cândido. Cria três painéis
para o pavilhão do Brasil na feira
mundial de Nova York. Faz uma retrospectiva
com 269 obras, no Museu Nacional de Belas
Artes, no Rio;
1940 - O Museu
de Arte Moderna de Nova York (MoMA) inaugura
a exposição Portinari of Brazil
1942 - Cria
painel para a Biblioteca do Congresso dos
EUA;
1944 - Trabalha
no polêmico altar da Igreja de São
Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Muito
discutida pelos religiosos, tanto por suas
formas arquitetônicas quanto pelo mural
de São Francisco com o cachorro, a
igreja só seria inaugurada em 1950;
1945 - Filia-se
ao Partido Comunista Brasileiro e candidata-se
a deputado federal. Não consegue eleger-se;
1946 - Termina
a as obras da Igreja da Pampulha, em Belo
Horizonte e faz o painel da sede da ONU, "Os
Quatro Cavaleiros do Apocalipse", com 10 por
14 metros. Expõe 84 obras em Paris.
Candidata-se ao Senado pelo PCB, mas também
não é eleito;
1950 - Representa
o Brasil na Bienal de Veneza;
1953 - Inicia
os painéis "Guerra" e "Paz", para a
ONU, que terminaria em 1957;
1954 - Começa
a manifestar sinais de envenenamento pelo
chumbo contido nas tintas com que trabalha:
sofre uma hemorragia intestinal e é
internado;
1955-56 - Realiza
21 desenhos com lápis de cor para uma
edição de Dom Quixote, de Cervantes.
A técnica era uma alternativa tentada
por Portinari para escapar à intoxicação
pelas tintas;
1956 - Faz
uma viagem a Israel, onde produz uma série
de desenhos a caneta tinteiro;
1959 - Faz
as ilustrações para uma edição
francesa de "O Poder e a Glória", de
Graham Greene;
1960 - Nasce
sua neta Denise, e ele passa a pintar um quadro
dela por mês, contrariando as recomendações
médicas;
1962 - Morre
no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro, em conseqüência
da progressiva intoxicação.
Na época preparava material para uma
exposição no palácio
Real de Milão;