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Aleijadinho |
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(1.730 - 1.814)
Mulato,
baixo, gordo e cabeçudo,
a testa muito larga, os lábios
muito grossos, as orelhas muito
grandes e o pescoço curto,
chapelão branco e capotão
comprido. Artista, escultor,
talhador, santeiro e arquiteto,
Antônio Francisco Lisboa,
chamado, Aleijadinho, que em
madeira e pedra construiu a
arte de uma época. E
lá estão em Minas
todos os trabalhos do seu gênio.
Vila
Rica, mas homem pobre
Povoada de lendas a vida do
Aleijadinho é cheia de
imprecisões. Estudiosos
da vida do artista contestam
a legitimidade do documento
de batismo com dois argumentos:
o nome do pai é Manuel
Francisco Lisboa e Manuel Francisco
da Costa.
Além disso, o atestado
de óbito indica que ele
morreu com 76 anos, em 1.814,
tendo assim nascido em 1.738
enquanto a certidão indica
o ano de 1.730.
Nascido em 1.730 ou 1.738, a
verdade é que Antônio
Francisco Lisboa nasceu em Vila
Rica, no estado de Minas Gerais,
que era o lugar para o qual
convergia todo o ouro extraído
nas Gerais, e também
o centro econômico e intelectual
da colônia. |
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Trabalho para carpinteiro
era o que não faltava,
foi isso que atraiu o pai
de Aleijadinho que chegara
de Portugal em 1.724, seguindo
o exemplo do irmão.
Em
casa, uma escola de arte
Dá-se como certo que
Aleijadinho acompanhou o pai
nos seus trabalhos. Além
da influência do pai
e do tio, ele teria tido dois
mestres muito competentes:
João Gomes Batista
e Francisco Xavier de Brito.
Como
esculpir um gênio
O pai de Aleijadinho casou-se
em 1.738 com Antônia
Maria de São Pedro,
com quem teve quatro filhos.
Nada se sabe do menino Antônio,
a não ser que era bastardo,
filho de português e
escrava. Quando seu pai morreu,
em 1.767, o Aleijadinho andava
pela casa dos trinta anos.
Grudado a oficina do pai,
passara os anos da adolescência
preparando-se para ser escultor
e entalhador.
Uma
disputa entre pai e filho
Logo, o Aleijadinho já
rivalizava com o pai na arquitetura
e as dúvidas sobre
a incapacidade do Aleijadinho
desapareceram com a construção
da Igreja de São Francisco
e de outros trabalhos.
Na metade do séc. XVIII
a arquitetura religiosa de
Minas das mais pobres passou
à vanguarda, movida
pelo ouro e pelo gênio
de muitos artistas, entre
os quais Aleijadinho.
A
plebe e a nobreza nas Minas
Gerais
A partir de 1.769, Aleijadinho
troca a madeira pela pedra
sabão, e daí
para frente ele faz suas melhores
imagens.
As
irmandades religiosas disputavam
seus serviços e os
afortunados adotavam as modas
do tempo.
Neste período apenas
duas figuras, quase lendárias,
conseguiam vencer as barreiras
da sociedade de Minas Gerais:
Chica da Silva e Chico Rei.
Maior e quase tão lendário
quanto eles, cresceu a figura
de Aleijadinho, mas este testemunhava
para o futuro em madeira e
pedra todo o seu valor.
A
doença que lhe deu
o nome
Até os 47 anos, Antônio
Francisco Lisboa viveu com
saúde. Com essa idade
teve um filho, a quem deu
o nome do pai. Também
por essa idade veio-lhe a
doença deformante,
que uns diziam ser zamparina,
outros um tipo de encefalíte,
ou então escorbuto,
moléstia decorrente
da falta de vitaminas, e há
quem fale em sífilis.
A doença o martirizou
até a morte e ao mesmo
tempo que lhe consumiu o corpo,
envenenava-lhe o temperamento.
De alegre e comunicativo passou
a triste e fechado. Irritava-se
facilmente, trancava-se em
desconfianças e de
puro ressentimento descobria
escárnio onde havia
admiração. Os
três escravos de Aleijadinho
sofriam nas suas mãos,
enquanto ele trabalhava escondido
de todos, depois de atacado
pela doença, contam
alguns autores, passou a vestir
uma Sobrecasaca azul de pano
grosso que chegava aos pés
e um chapelão de abas
largas preso à capa,
pois não queria ser
visto por ninguém.
O
santuário em Congonhas
do Campo
Já doente, a partir
de 1.796 ele dedica a sua
vida à execução
de obras primas como os passos
e os projetos de Congonhas
do Campo, a sessenta quilômetros
de Vila Rica, numa altitude
de uns mil metros, dominando
extenso vale circundado de
montanhas: é o santuário
de Bom Jesus de Matozinhos.
Os
profetas sempre pregando a
verdade
Foi sob o céu aberto
de Congonhas que Aleijadinho
colocou os seus projetos a
gritar a palavra de Deus.
Num lugar onde o movimento
das montanhas de Minas pára
de repente abrindo o vasto
declive entre as serras de
Ouro Brancoe Santo Antônio,
gesticulam os projetos.
Um
jogo de muitas mãos
As imagens do Aleijadinho
possuem além de uma
intenção artística,
a piedade cristã, são
a um só tempo obras
de arte e de devoção.
O que há mais típico
na obra do artista é
a grandeza dos pés
e das mãos. Essa deformação
encontrada praticamente em
todas as suas obras podem
indicar uma projeção
de sua doença ou um
exemplo pioneiro de expressionismo.
Anos
que foram os últimos
Nos últimos anos de
sua vida, Aleijadinho pouco
trabalhou, muito fraco muda-se
para a casa de sua nora Joana,
onde durante quatro anos aguarda
a morte deitado sobre um estranho
feito de tábuas, passou
dois anos sem sair do leito,
com um dos lados do corpo
horrivelmente machucado, sempre
lendo a Bíblia e pedindo
ao senhor que lhe desse descanso.
Finalmente a 18 de novembro
de 1.814, morre o grande artista.
Seu enterro é simples
e pobre, na Matriz de Nossa
Senhora da Conceição,
em Antônio Dias.
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