Foi em 1870 que a República
passou a ser calorosamente defendida por diversos
setores da sociedade, após a publicação
do Manifesto Republicano. Neste
manifesto, que conquistou a simpatia de importantes
regiões provinciais no país, empreendeu-se
um ataque ao regime do império através
de críticas quanto a sua grande centralização
de poder. Em substituição ao poder
centralizado, o Manifesto propunha o federalismo
como caminho para o país. Outras críticas
foram deferidas pelo Manifesto: foram condenadas
a aliança entre Estado e Igreja (a classe
sacerdotal era mantida pelo Estado) e a vitaliciedade
dos senadores do Império. A publicação
de tais idéias acarretou na paulatina
formação de partidos republicanos,
cujos poderes ainda regionais não poderiam
de imediato fazer grande oposição
aos partidos do Império, que por sua
vez possuíam força política
em caráter nacional. Em 1873, a fundação
do Partido Republicano Paulista
também acarreta na larga difusão
das idéias republicanas. Vários
órgãos de imprensa, incluindo
alguns que tornar-se-iam de grande prestígio,
passam a divulgar e apoiar a idéia republicana,
gerando uma grande expansão do número
de simpatizantes.
Paralelamente, no ano que se
seguiu ao do Manifesto Republicano foi aprovada
a Lei do Ventre Livre, que tornava livres os
filhos de escravos que nasceriam a partir da
data da promulgação da Lei. Tratou-se
de um primeiro golpe legal contra a escravidão
no Brasil, ainda que tal lei mais tarde foi
desmascarada como uma grande farsa: os novos
escravos nascidos deveriam ser criados pelos
senhores escravistas até a idade de vinte
e um anos. Os custos da criação
deveriam ser pagos com o trabalho dos escravos.
As campanhas antiabolicionistas prosseguiram
ao notar a iniquidade da lei promulgada. Três
anos mais tarde, a Lei dos Sexagenários
era aprovada. Seus efeitos eram ridículos:
os escravos seriam libertos com a idade de sessenta
anos, mas a média de expectativa de vida
no Brasil era inferior a esse patamar. Apesar
dos efeitos concretos desprezíveis da
lei, ao mesmo tempo as discussões antiabolicionistas
foram acirradas. Só em 1888 foi decretada
finalmente a Lei Áurea, que estabeleceu
definitivamente o fim da escravidão no
Brasil. Desta forma, os escravocratas prejudicados
com o fim da escravidão abandonaram o
Império à sua própria sorte,
sendo este último cada vez mais atacado
pelos republicanos. A abolição
da escravatura, portanto, tratou-se de um importante
fator para o estabelecimento concreto dos ideais
republicanos.