Pedra do sono,
seu primeiro livro, apresenta elementos do
surrealismo, a começar pelo título
(sono). Segundo o próprio poeta, o
que se pretendeu nesse livro foi "compor um
buquê de imagens em cada poema,- as
imagens revelam matéria surrealista
no sentido de oníricas, subconscientes...
" . O sono e o sonho são temas freqüentes
e importantes nessa obra. O próprio
autor considera sua primeira obra como "um
livro falso", cujo rendimento artístico
não o satisfez.
O engenheiro,
embora inclua ainda poemas de caráter
surrealista, traz já as bases de sua
nova concepção de poesia, segundo
a qual o poema deve resultar de uma atitude
racionalista, objetiva, diante da realidade
concreta. Uma atitude de quem controla racionalmente
as emoções.
Psicologia
da composição mostra o amadurecimento
daquele conceito de poesia rascunhado no livro
anterior. O poeta rejeita - em poemas de caráter
metalingüístico - a inspiração
e assume, não sem hesitar, a objetividade
diante do ato de escrever. Por isso, o livro
apresenta poemas com uma linguagem racional,
lógica, marcados pelo extremo cuidado
formal. Muitas vezes sente-se o poeta questionando
a validade do próprio ato de escrever.
Os livros seguintes
- O cão sem plumas, O rio e Morte e
vida severina - mostram um poeta mais diretamente
voltado para a temática social, analisando
a realidade geográfica, humana e social
do Nordeste.
Morte e vida
severina, sua obra mais conhecida, é
um poema narrativo subintitulado auto de Natal
pernambucano, que trata da caminhada de um
retirante - Severino - do sertão até
a zona litorânea, em busca de condições
para sobreviver à seca. A semelhança
com um auto natalino ocorre no final, quando,
ao presenciar o nascimento de uma criança,
o retirante renuncia à intenção
de matar-se.
Paisagem com
figuras traça paralelos entre duas
terras que o poeta conhece bem: a Espanha
e Pernambuco.
O Auto do frade
tem como assunto o dia da morte do rebelde
frei Caneca.
Agrestes é
uma coletânea de poemas de temas diversos.
Eis um poema desse livro
O luto no
Sertão
Pelo sertão
não se tem como
não se viver sempre enlutado;
lá o luto não é de vestir,
é de nascer com, luto nato.
Sobe de dentro, tinge a pele
de um fosco fulo: é quase raça;
luto levado toda a vida
e que a vida empoeira e desgasta.
E mesmo o urubu que ali exerce,
negro tão puro noutras praças,
quando no sertão usa a batina
negra-fouveiro, pardavasca.
Obras do autor
- Pedra
do sono (1942)
- O engenheiro (1945)
- Psicologia da composição (1947)
- O cão sem plumas (1950)
- O no (1954)
- Morte e vida severina (1956)
- Paisagem com figuras (1956)
- Uma faca só lâmina (1956)
- A educação pela pedra (1966)
- Museu de tudo (1975)
- Auto do frade (1984)
- Agrestes (1985)
- Crime na Calle Relator (1987)