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Roberto Carlos, o Rei |
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"…Debaixo
dos caracóis dos seus cabelos…".
No Brasil, muitos se emocionaram com
a letra dessa música em meados
dos anos 70. E, é evidente,
que a maioria das pessoas pensava
que Roberto Carlos havia se inspirado
em uma mulher. Porém, há
pouco tempo, soubemos a verdadeira
história. Roberto foi a Londres
e visitou Caetano Veloso, que se encontrava
exilado. O baiano emocionou-se muito
ao lembrar do Brasil. Ao ver seu compatriota
chorando como uma criança,
o rei escreveu essa linda música,
que o próprio Caetano regravou
no disco Circuladô.
Na ditadura militar brasileira (1964-1985),
a censura, que "acompanhava de
perto" as composições
musicais, deixou passar essa linda
homenagem de Roberto Carlos a Caetano
Veloso.
Roberto Carlos Braga nasceu no dia
19 de abril de 1941 em Cachoeiro do
Itapemirim, estado do Espírito.
Seu apelido de infância era
zunguinha e aos 9 anos de idade já
se apresentava na rádio de
Cachoeiro, cantando entre outras músicas,
Amor y más amor, um bolero
de Gregorio Barrios.
Em 1955, aos 14 anos, mudou-se para
Niterói com a família.
Em 1958, morando no Rio, conheceu
Erasmo Carlos, que se tornaria seu
amigo e parceiro de tantas canções.
Juntos, formaram o grupo The Sputiniks,que
posteriormente passaria a chamar-se
The Snakes. Por essa banda passaram
nomes como Tim Maia e Jorge Ben. Nessa
época Roberto fez suas primeiras
aparições em rádio
e televisão.
Foi apresentado, em 1959, pelo produtor
Carlos Imperial e com uma carta do
apresentador Abelardo "Chacrinha"
Barbosa gravou seu primeiro disco,
com as músicas João
e Maria e Fora do Tom.
Depois de várias tentativas,
sem muito sucesso, Erasmo Carlos apareceu
com uma nova versão, Splish
Splash, que Roberto gravou junto com
a música Parei na Contramão,
marcando o início da dupla
Roberto-Erasmo.
Em 1963, começou a ir para
São Paulo e aparecer na TV
Record, que era a mais importante
na época e já em 64
era conhecido no Brasil todo. Nesse
mesmo ano gravou o LP É Proibido
Fumar, trazendo a faixa que marcou
definitivamente a sua carreira: O
Calhambeque.
O ano de 1965 foi muito importante
para a carreira de Roberto Carlos.
Com a chamada "Beatlemania"
explodindo em todo o mundo, surgiu
também o iê-iê-iê,
que agitou a década de 50.
A essa altura, Roberto gravou um disco
intitulado Roberto Carlos canta para
a juventude e, junto com Erasmo e
Vanderléa, passaram a ser os
líderes do movimento jovem.
Além disso, começaram
a ditar a moda em todo o país.
Tudo o que Roberto vestia ou dizia
virava moda. As músicas Não
é papo* para mim e Mexerico*
da Candinha estiveram nos primeiros
lugares das paradas de sucesso e com
o lançamento de um novo disco
no fim do ano, surgiram outros grandes
sucessos: Eu te darei o céu,
Nossa canção, Negro
gato, Querem acabar comigo, Namoradinha
de um amigo meu, entre outros.
A TV Record, então, lançou
um programa apresentado pelo próprio
Roberto que se chamava "Jovem
Guarda". Esse programa alcançou
um dos maiores piques de audiência
da TV brasileira de todos os tempos.
Em novembro foi lançado o disco
Jovem Guarda, que continha a música
Quero que vá tudo pro inferno.
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O sucesso continuou no anos seguintes
e tudo o que dizia era repetido pelos
jovens de todo o país. Podemos
citar as expressões: "é
uma brasa, mora", "carango"
e "bicho".
Em 1967, gravou o disco Roberto Carlos
em ritmo de aventura, além
de um filme com o mesmo título,
que atingiu recordes de bilheteria
no ano seguinte.
Em 1968 foi vencedor do Festival de
San Remo com a música Canzione
Per Te. Nesse mesmo ano gravou O LP
O inimitável, que trazia as
canções As flores do
jardim da nossa casa, Sua estupidez
a As curvas da estrada de Santos.
Nesse mesmo ano viajou à Bolívia
e casou-se com Cleonice Rossi, em
Santa Cruz de La Sierra e no ano seguinte
nasceu seu primeiro filho, Roberto
Carlos Braga Segundo.
O ano de 1970 foi importante para
o "rei", pois realizou sua
primeira temporada no Canecão
(casa de shows muito importante do
Rio de Janeiro). Seu novo LP trouxe
duas canções marcantes:
Meu pequeno Cachoeiro, uma homenagem
a sua cidade natal e Jesus Cristo.
Os anos setenta foram marcados pelo
crescimento de sua fama em todo o
Brasil, na América espanhola
e Europa. A cada ano continuou realizando
seus shows no Canecão e em
1974 gravou seu primeiro Especial
para a rede Globo de Televisão,
exatamente no dia 24 de dezembro.
A partir daí, tornou-se uma
tradição. Para os brasileiros,
época de Natal sem o Programa
Especial de Roberto é inconcebível.
Na vida pessoal, podemos destacar
o nascimento de sua segunda filha,
em 1971, Luciana Braga e sua separação
em 1979, ano em que iniciou um romance
com a atriz Miriam Rios.
Destacamos os sucessos Detalhes, Amada
amante, Debaixo dos caracóis
dos seus cabelos (1971); Como vai
você, A montanha, O divã,
A distância, Quando as crianças
saírem de férias (1972);
A cigana, Proposta, O moço
velho, El dia que me quieras (1973);
O portão, Ternura antiga, Jogos
de damas, Eu quero apenas (1974);
Além do horizonte, O quintal
do vizinho, Elas por elas, Inolvidable,
El humahuasqueño (1975); Eu
daria a minha vida, Maria, Carnaval
e cinzas, Eu disse adeus, O show já
terminou, Ilegal, imoral ou engorda,
Os seus botões, O progresso
Pelo avesso (1976); Amigo, Falando
sério, Cavalgada, Para ser
só minha mulher (1977); Café
da manhã, Força estranha,
Lady Laura, A primeira vez (1978);
Na paz do seu sorriso, Abandono, Desabafo*,
Meu querido, meu velho, meu amigo
(1979).
Nos oitenta, sua popularidade continuou
crescendo no exterior e seus discos
foram gravados em espanhol, italiano,
inglês e francês. Fez
turnês pelo Brasil todo e bateu
vários recordes de vendagem
de discos dentro e fora do país.
Em 1985 ganhou o "Grammy",
que o consagrou o melhor cantor pop
latino-americano.
Músicas a destacar: A guerra
do meninos, O gosto de tudo, A ilha,
Amante à moda antiga (1980);
As baleias, Cama e mesa, emoções
(1981); Fera ferida, Fim de semana,
Meus amores da televisão, Como
é possível (1982); O
amor é a moda, Recordações
e nada mais, Estou aqui, O côncavo
e o convexo, No mesmo verão
(1983); Caminhoneiro, Aleluia, Eu
e ela, Coração , Lua
Nova (1984); Verde e amarelo (1985).
Nos anos noventa Roberto Carlos continuou
com o seu espetacular sucesso, apresentando-se
no México, Estados Unidos e
América Latina. Recebeu, em
Miami, a "Estrela na Calçada
da Fama", prêmio conferido
aos maiores astros latino-americanos.
Em 1995 gravou a coleção
"30 anos da Jovem Guarda".
Maria Bethânia gravou o CD As
canções que você
fez para mim, cantando músicas
de Roberto e Erasmo Carlos e roqueiros
famosos do Brasil (Skank, Barão
Vermelho, Cássia Eller, Blitz,
entre outros) gravaram um CD intitulado
O Rei, fazendo novas versões
de grandes sucessos de Roberto. |
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Nessa época gravou várias
músicas em homenagem às
mulheres que não se encaixam
nos padrões de beleza vigentes
como as baixinhas, gordinhas e míopes
e uma música que falava das
mulheres de 40.
No que se refere à vida pessoal,
em 1990 se separou de Mirim Rios,
depois de 11 anos de convivência
e em 1998 voltou a casar-se com Maria
Rita, seu terceiro casamento.
O ano de 1998 foi muito difícil
para Roberto. Sua esposa teve um grave
problema de saúde e a partir
daí começou uma grande
corrente de fé a seu favor.
Em seu especial de fim de ano demonstrava
tristeza e em 1999 gravou um CD com
12 canções de temas
religiosos que fizeram sucesso ao
longo de sua carreira: Jesus Cristo,
Fé, Ele está para chegar,
entre outros. Depois de um tempo recuperada,
Maria veio a falecer em 1999. |
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