Bento
Teixeira
Filho de cristãos-novos,
veio com a família para o Brasil por
volta de 1567, com destino à capitania
do Espírito Santo, frequentando o colégio
dos Jesuítas. Em 1576 foi para o Rio
de Janeiro e em 1579 para a Bahia. Em 1583
vai para Ilhéus onde se casa com Filipa
Raposa, cristã-velha. Sem possibilidade
de melhoria financeira, parte em 1584 para
Olinda, abrindo aí a escola. Em 1588
vai para Igaraçu, dedicando-se ao magistério,
à advocacia e ao comércio. Foi
aí que a esposa começou a traí-lo
sob pretexto de ele ser mau cristão
e judeu. Foi aí também que blasfemou,
sendo, em consequência, levado a auto-de-fé
em 31 de julho de 1589, mas conseguindo a
absolvição do ouvidor da Vara
Eclesiástica. A 21 de janeiro de 1594
fez sua denúncia e confissão
perante o Visitador do Santo Ofício,
em Olinda. Em dezembro desse ano matou a esposa
por adultério e refugiou-se no Mosteiro
de São Bento daquela cidade. Continuando
sob a mira da Inquisição por
judaísmo, foi preso em Olinda em 20
de agosto de 1595 sendo embarcado para Lisboa,
aí chegando em janeiro de 1596. Recolhido
aos cárceres, negou a crença
e prática judaicas, vindo a confessá-las
depois. Levado a auto-de-fé em 31 de
janeiro de 1599, abjurou o judaísmo,
recebeu doutrinação católica
e obteve liberdade condicional a 30 de outubro.
Doente, faleceu na cadeia de Lisboa em fins
de julho de 1600.
José
Veríssimo
José Veríssimo
passou a infância e iniciou os estudos
em Óbidos, Pará. Depois, morou
em Manaus e Belém. Aos doze anos transferiu-se
para o Rio de Janeiro, onde fez os preparatórios
e ingressou na Escola Politécnica.
Por motivos de doença, em 1876, abandona
os estudos e regressa ao Pará. Lá,
dedica-se a múltiplas atividades: em
1879, funda e dirige a Gazeta do Norte, e
em 1884 , o Colégio Americano . Em
1878, ele estréia nas letras com Quadros
Paraenses e Viagem ao Sertão. Fez duas
viagens à Europa; na primeira, em 1880,
viaja para Lisboa a fim de participar do Congresso
Literário Internacional com um trabalho
acerca do movimento literário brasileiro,
e na Segunda, em 1889, participa de um Congresso
de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica,
em Paris, com um ensaio sobre O Homem de Marajó
e a Antiga Civilização Amazônica.
Regressando, muda-se para o rio de Janeiro,
onde se consagra inteiramente à crítica
e ao magistério: professor e diretor
do Colégio Pedro II. Foi membro do
Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, sócio-fundador da Academia
Brasileira de Letras, diretor da Revista Brasileira
( 3º série, 1895-1898). Em 1907,
conclui a publicação das seis
séries dos Estudos de Literatura Brasileira,
iniciada em 1901.
José
de Alencar
Poeta, romancista, dramaturgo, crítico,
jornalista, político, ensaísta,
orador parlamentar e consultor do Ministério
da Justiça. É considerado o
patriarca da literatura brasileira. Sua infância
foi impregnada das cenas da vida sertaneja
e da natureza brasileira. Entre 1840 e 1843,
estudou no Rio de Janeiro. Em 1846, transferiu-se
para São Paulo, onde matriculou-se
no curso jurídico. Em 1848, estudou
em Pernambuco, retornando a São Paulo
diplomou-se em 1850. No ano seguinte fixou-se
no Rio de Janeiro, (RJ). Leu mestres estrangeiros
de todos os gêneros: Balzac, Chateaubriand,
Victor Hugo, Dumas, Byron, Eugenie Sue, Walter
Scott, Fenimore Cooper. Em 1844, escreveu
Os contrabandistas, O ermitão da Glória
e Alma de Lázaro, influenciado pelo
êxito de A Moreninha, de Joaquim Manoel
de Macedo. Projetou-se no mundo literário
através da polêmica em torno
do poema épico "Confederação
dos Tamoios", de Gonçalves de Magalhães,
considerado, então, o chefe da literatura
brasileira. Sua crítica demonstrava
a concepção do que deveria caracterizar
a literatura brasileira, para a qual o gênero
épico era incompatível. Colaborou
nos periódicos Correio Mercantil, Folha
Nova, Revista Brasileira. Foi redator-chefe
do Diário do Rio de Janeiro.
Lima
Barreto
Romancista, cronista. Fez seus
primeiros estudos como interno no Liceu Popular
Niteroiense, prestando, após alguns
anos, exames para o Ginásio Nacional.
Em 1896, matriculou-se no Colégio Paula
Freitas, freqüentando o curso preparatório
à Escola Politécnica, onde ingressou
no ano seguinte. Em 1903, ingressou na Diretoria
de Expediente da Secretaria de Guerra, abandonando
o curso de engenharia, passando a sustentar
a família, já que seu pai enlouquecera
e sua mãe havia falecido. Em 1914,
foi internado pela primeira vez no Hospício
Nacional, por alcoolismo, sendo aposentado
através de decreto presidencial. Foi
preterido nas promoções da Secretaria
de Guerra por sua participação,
como jurado, no julgamento dos acusados no
episódio denominado "Primavera de Sangue"
(1910), que condenou os militares envolvidos
no assassinato de uma estudante. Em 1919,
esteve pela segunda vez internado no hospício.
Candidatou-se duas vezes a membro da Academia
Brasileira de Letras; na primeira vez, seu
pedido não foi considerado; na segunda,
não conseguiu ser eleito. Posteriormente
recebeu menção honrosa desta
Academia. Fez sua primeira colaboração
na imprensa ainda em 1902. Influenciado pela
Revolução Russa, a partir de
1918 passou a militar na imprensa socialista,
publicando no semanário alternativo
ABC um manifesto em defesa do comunismo. Colaborou
nos periódicos Correio da Manhã,
Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Fon-Fon,
entre outros. Lançou em 1907, com amigos,
a revista Floreal, que teve editados apenas
quatro números.
Adolfo
Caminha
Adolfo Caminha
após ter-lhe morrido a mãe,
ficando órfão com mais cinco
irmãos, foi para a companhia de parentes
em Fortaleza. Seis anos depois, em 1883, mudou-se
para a casa de seu tio no Rio de Janeiro que
o matriculou na antiga Escola da Marinha.
Em 1886, saiu a publicação em
versos de Vôos Incertos. No mesmo ano,
fez uma viagem de instrução
aos Estados Unidos. Em 1887, a 16 de Dezembro,
promovido a 2º tenente, publicou Judite
e Lágrimas de um Crente, livro de contos.
Em 1888, regressa a Fortaleza e envolve-se
em rumoroso escândalo, ao raptar a esposa
de um alferes. O ministro da Marinha interfere,
inutilmente, para pôr fim à situação.
Em 1890, Adolfo Caminha, pressionado de todos
os lados, se demite e com a mulher e duas
filhas segue para o Rio de Janeiro, onde vive
como funcionário publico. Em 1891,
fundou, em Fortaleza, a Revista Moderna, e
colaborou no jornal O Norte. Em 1893, lançou
o romance A Normalista, colaborou na Gazeta
de Notícias e em O País. Em
1894, publicou No País dos Ianques,
fruto de sua ida, oito anos antes, aos Estados
Unidos. Um ano depois, o romance O Bom Crioulo,
e Cartas Literárias. Em 1896, ano em
que fundou a Nova Revista, publicou Tentação.
Atormentado pelas dificuldades econômicas
e debilitado pela tuberculose, morre precocemente.
Deixou inacabados os romances: Ângelo
e O Emigrado.
Aluísio
Azevedo
Em 1875, trabalha como caixeiro.
Nesta época colabora em jornais com
versos e desenhos e ensina português.
A convite do irmão, o comediógrafo
Artur Azevedo, embarca para o Rio de Janeiro,
trabalhando como caricaturista nas redações
de jornais políticos e humorísticos.
Lá, cursa a Imperial Academia de Belas
Artes. Com o falecimento do pai em 1878, retorna
ao Maranhão, onde colabora na imprensa.
Foi um dos fundadores do jornal O Pensador.
Volta ao Rio de Janeiro em 1882, militando
ativamente na imprensa. Em 1891, é
nomeado Oficial-Maior da Secretaria de Negócios
do Governo do Estado do Rio. Em 1895, fez
concursos na Secretaria do Exterior para cônsul,
sendo nomeado vice-cônsul, em Vigo,
em 1895. Desde então, não mais
publicou um livro, vendendo sua propriedade
literária a H. Garnier. Em 1910, foi
promovido a cônsul de primeira classe.
Em 1911, sem prejuízo das funções
consulares foi transferido para o posto de
Adido Comercial junto às legações
do Brasil na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
Raul
Pompéia
Romancista,
contista, cronista, poeta, advogado, jornalista.
Aos dez anos foi internado no colégio
do professor Abílio César Borges,
no Rio de Janeiro. Mais tarde, matriculou-se
no externato do Imperial Colégio Pedro
II, onde completou o estudo de humanidades,
destacando-se como orador. Começando
o curso de direito em São Paulo (1881),
deixou-se influenciar por idéias materialistas,
positivistas e revolucionárias da época,
empolgando-se pelas causas abolicionista e
republicana. Atacando a oligarquia dominante
através de comícios públicos,
ou de caricaturas e artigos publicados em
diversos jornais, sofreu perseguições
políticas que culminaram com a sua
reprovação nos exames finais
da faculdade. Transferiu-se para a cidade
de Recife, a fim de concluir o curso. Foi
de intensa atividade intelectual a sua permanência
nesta cidade, de onde remetia suas colaborações
para os jornais do Rio de Janeiro, cidade
para qual retornou em 1885. Em 1893, publicou
a charge "O Brasil crucificado entre dois
ladrões", hostilizando ingleses e portugueses,
causando escândalo no meio político.
Devido as suas posições político-ideólogicas,
foi atacado por Olavo Bilac num artigo de
jornal. Pompéia o desafiou para um
duelo que não chegou a se consumar.
Em 1895, é demitido da direção
da Biblioteca Nacional, para onde havia sido
nomeado. Um artigo de Luís Murat traz-lhe
grande abatimento moral e no dia de Natal
suicida-se com um tiro no coração.
Júlia
Lopes de Almeida
Contista, romancista,
cronista, teatróloga. Viveu parte da
infância em Campinas (SP). Estreou na
imprensa em 1881, quando as mulheres mal iniciavam
carreira literária em jornais no Brasil,
publicando no semanário A Gazeta de
Campinas. Fez conferências e colaborou
em vários periódicos do Rio
de Janeiro e de São Paulo, entre eles
Gazeta de Notícias, Jornal do Comércio,
Ilustração Brasileira, A Semana,
O País, Tribunal Liberal. Casou com
o poeta e teatrólogo português
Filinto de Almeida, com quem dividiu a autoria
do romance A casa verde. Seus livros retratam
costumes da época e expõem idéias
favoráveis à República
e à Abolição, destacando-se
sobretudo pela simplicidade, o que a tornou
bem aceita pelo público e pela crítica.
Ocupou a cadeira nº 26 da Academia Carioca
de Letras. Com uma linguagem simples, Júlia
Lopes Almeida revela em sua obra a atmosfera
suave do ambiente tipicamente familiar. Em
seu livro A árvore (1916), defende
com rigor o ambiente natural, afirmando que
"cortar uma árvore é estrangular
um nervo do planeta em que vivemos", preocupação
inusitada para a sua época. Brilhante
e sensível, contestava, ainda que de
maneira delicada e sutil, a discriminação
contra a mulher. No entender de Lúcia
Miguel Pereira, a autora deve ser considerada
a maior figura entre os romancistas de sua
época, não só pela extensão
de sua obra, pela continuidade do esforço,
pela longa vida literária de mais de
40 anos, como pelo êxito que conseguiu,
com os críticos e com o público.
Para Josué Montello, "o que sua voz
revela, no plano mesmo da superfície
narrativa cheia de ações e peripécias,
são os movimentos tornados gestos.
Gestos ao mesmo tempo cotidiano e cerimoniais.
Visconde
de Taunay
Taunay estudou
Humanidades no Colégio Pedro II. Depois,
em 1859, matriculou-se na Escola Militar,
onde foi bacharel em Ciências Físicas
e Matemáticas. Engenheiro-geógrafo
do Exército, tenente do Imperial Corpo
de Engenheiros, participou da Guerra do Paraguai
e da Expedição do Mato Grosso.
Deixou o exército, no posto de major,
para se dedicar à política e
ás letras. Dedicou-se à música,
à pintura, ao jornalismo e à
crítica. Embora filho de franceses,
soube ser um escritor essencialmente brasileiro.
Iniciou-se nas letras com o romance A Mocidade
de Trajano (1871), sob o pseudônimo
de Sílvio Dinarte. No mesmo ano, publica
em francês suas impressões acerca
de um episódio decisivo na Guerra do
Paraguai, A Retirada da Laguna. Em 1872, publica
Inocência. Foi senador por Santa Catarina
e presidente da Província de Santa
Catarina e Paraná. Afastou-se da política
como senador em 1889, por fidelidade à
monarquia. Foi membro do Instituto Histórico
e Geográfico e membro fundador da Academia
Brasileira de Letras. Em 1889, recebe o título
de Visconde.
Rui
Barbosa
Rui Barbosa
de Oliveira, político e jurisconsulto,
nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de novembro
de 1849. Bacharelou-se em 1870 pela Faculdade
de Direito de São Paulo. No início
da carreira na Bahia, enganjou-se numa campanha
em defesa das eleições diretas
e da abolição da escravatura.
Foi político relevante na República
Velha, ganhando projeção internacional
durante a Conferência da Paz em Haia
(1907), defendendo com brilho a teoria brasileira
de igualdade entre as nações.
Eleito deputado provincial, e adiante geral,
atuou na elaboração da reforma
eleitoral, na reforma do ensino, emancipação
dos escravos, no apoio ao federalismo e na
nova Constituição. Por divergências
políticas, seu programa de reformas
eleitorais que elaborou, mal pode ser iniciado,
em 1891. Em 1916, designado pelo então
presidente Venceslau Brás, representou
o Brasil centenário de independência
da Argentina, discursando na Faculdade de
Direito de Buenos Aires sobre o conceito jurídico
de neutralidade. O discurso causaria a ruptura
definitiva da relações do Brasil
com a Alemanha. Apesar disso, recusaria, três
anos depois, o convite para chefiar a delegação
brasileira à Conferência de Paz
em Versalhes. Com seu enorme prestígio,
Rui Barbosa candidatou-se duas vezes ao cargo
de Presidente da República - nas eleições
de 1910, contra Hermes da Fonseca e 1919,
contra Epitácio Pessoa - entretanto,
foi derrotado em ambas, sendo o período
durante a primeira candidatura o marco inicial
e sua Campanha Civilista. Como jornalista,
escreveu para diversos jornais, principalmente
para A Imprensa, Jornal do Brasil e o Diário
de Notícias, jornal o qual presidia.
Sua extensa bibliografia recolhida em mais
de 100 volumes, reúne artigos, discursos,
conferências EE. questões políticas
de toda uma vida. Sócio fundador da
Academia Brasileira de Letras, sucedeu a Machado
de Assis na presidência da casa. Sua
vasta biblioteca, com mais de 50.000 títulos
pertence à Fundação Casa
de Rui Barbosa, localizada em sua própria
antiga residência no Rio de Janeiro.
Rui Barbosa faleceu em Petrópolis,
no Rio de Janeiro, em 1923.
Euclides
da Cunha
Romancista.
Iniciou o curso de engenharia na Escola Central
Politécnica no Rio de Janeiro, transferindo-se
depois para a Escola Militar, da qual foi
expulso em 1888 por motivo de rebeldia. Positivista,
antimonárquico e abolicionista, com
a proclamação da República
foi readmitido no Exército. Cursou
engenharia militar na Escola Superior de Guerra
e bacharelou-se em matemática e ciências
naturais, dedicando-se à engenharia
civil e ao jornalismo. Foi enviado pelo jornal
O Estado de S. Paulo, em 1897, para cobrir
a guerra de Canudos, causada pela rebelião
de fanáticos religiosos na Bahia. Autor
de Os sertões, obra, "precursora para
o desenvolvimento das ciências sociais
dos anos 30 e 40" (Antônio Cândido),
que trouxe "para a linha de frente do pensamento
nacional a indagação das razões
do atraso do interior do país e deste
país em relação aos outros"
(Walnice Nogueira Galvão). Foi membro
da Academia Brasileira de Letras e do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro.
Bernardo
Guimarães
Romancista
e poeta. Realizou seus primeiros estudos em
Ouro Preto (MG) e, posteriormente, graduou-se
em direito em São Paulo (1852). Exerceu
a magistratura em, Catalão (GO). No
Rio de Janeiro, fez incursões no jornalismo.
Após seu retorno a Ouro Preto, tornou-se
professor de retórica e poética
no Liceu Mineiro e de latim e francês
em Queluz. Introdutor do regionalismo e do
sertanismo na ficção brasileira,
sua obra poética revela traços
do ultra-romantismo à maneira de Álvares
de Azevedo, seu contemporâneo e amigo
na Faculdade de Direito. Principais obras:
O garimpeiro (rom.), 1872, reed. 1991. Ática,
São Paulo; O seminarista (rom.), 1872,
reed. 1994, FTD, São Paulo; A escrava
Isaura (rom.), 1875, reed. 1997,Ática,
São Paulo; Poesias completas, 1959,
Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro;
Poesia erótica e satírica,1992,
Imago, Rio de Janeiro.
Monteiro
Lobato
Escritor e
empresário. Nasce em Taubaté,
forma-se na Faculdade de Direito de São
Paulo, exercendo a profissão como promotor
público. Inicia em 1918 sua carreira
de escritor publicando o livro de estréia,
"Urupês", em que expõe a miséria
do lavrador brasileiro. Depois vem a obra
consagradora: "Sítio do Picapau Amarelo",
inugurando a literatura infantil brasileira.
Personalidade influente na vida do país
e entusiasmado com o progresso dos EUA, publica
a obra "América" e "O escândalo
do Petróleo", onde faz duras críticas
à crise energética. Em consequência
disso é preso por três meses.
Fundou a Companhia Editora Nacional e praticamente
consolidou a indústria editorial no
país.
Cruz
e Souza
Poeta, jornalista,
professor. Filho de escravos alforriados,
teve educação cuidada pelos
antigos senhores de seus pais. Em 1882 e 1883,
viajou pelo Norte do país, como secretário
e ponto de uma companhia teatral. De novo
em Desterro, integrou-se ao movimento abolicionista,
atuando na imprensa. Indicado para uma promotoria
pública em Laguna, no interior de Santa
Catarina, teve a nomeação barrada
devido ao racismo. Em 1885, funda o jornal
O Moleque, título que deu lugar à
exploração mordaz por parte
dos adversários. Em 1890, já
no Rio de Janeiro, ingressa no funcionalismo
público, como amanuense da Estrada
de Ferro Central do Brasil, cargo humilde
e pouco rendoso, que não lhe permitia
sair da vida de privações. Influenciado
pelo movimento decadentista francês,
lançou, no jornal Folha Popular, em
1891, com B. Lopes, Oscar Rosas e Emiliano
Perneta, o manifesto que viria dar corpo ao
movimento simbolista, iniciado com a publicação
dos livros Missal e Broquéis. Ao lado
das dificuldades financeiras, passou por muitos
dissabores na vida intelectual, jamais logrando
bom acolhimento nas redações
dos jornais e nas rodas literárias.
Seu sofrimento, acentuado pela morte do pai
e pelo enlouquecimento da esposa, Gavita Rosa
Gonçalves, conduziu-o a uma crise,
que o levou a adquirir tuberculose, do que
viria a morrer.
Basílio
da Gama
Filho de pai
português e mãe brasileira, Basílio
da Gama ainda na infância fica órfão
de pai e graças a um protetor segue
para o Rio de janeiro e ingressa no Colégio
dos Jesuítas. Expulsos estes em 1759,
Basílio da Gama termina os estudos
no Seminário de São José
e embarca para a Itália, onde adere
à Arcádia Romana, e adota o
pseudônimo de Termindo Sipílio.
Depois de breve passagem pelo Rio de Janeiro,
segue para Lisboa e matricula-se na Universidade
de Coimbra. Foi preso e condenado ao degredo
em Angola sob suspeitas de estar ligado à
Companhia de Jesus. Na prisão, escreveu
um epitalâmio dirigido à filha
do Marquês de Pombal, e alcança
com isso comutação da pena.
Em 1769, para provar seu antijesuitismo oportunista,
escreveu o poema Uruguai, que dedicou a um
irmão do Marquês, ex-governador
do Pará, publicado pela Régia
Oficina Tipográfica de Lisboa. Estabelecido
em Lisboa, em 1774 foi nomeado oficial da
Secretaria do Reino. A mudança de governante,
em 1777, não lhe alterou a situação,
mas daí por diante nada merecedor de
relevo lhe ocorreu. Em 1790, recebe o hábito
de Santiago, das mãos de D. Maria I.
João
do Rio
Cronista, teatrólogo
e contista. Notabilizou-se como o primeiro
homem de imprensa brasileira que teve o senso
de reportagem de crônica social modernas.
Sua estréia no jornalismo se deu no
jornal Cidade do Rio (1899). Fundou o Rio
Jornal, A Pátria (1926) e a revista
Atlântica (1915), esta última
com o escritor português João
de Barros. Colaborou também em outros
periódicos do Rio de Janeiro, São
Paulo e Portugal. Foi fundador e primeiro
diretor da Sociedade Brasileira de Autores
Teatrais (1917). Antecipando "as transformações
trazidas pelo manifesto modernista e a Semana
de 22", sua obra constituiu-se no "mais fértil
material sobre a cidade do Rio de Janeiro
nas duas primeiras décadas deste século,
interessando igualmente a historiadores, antropólogos,
urbanistas e folcloristas" (João Carlos
Rodrigues). Foi o membro da Academia de Ciências
de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras.
Joaquim
Nabuco
Poeta e dramaturgo.
Fez os estudos preparatórios no Colégio
Pedro II, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos,
publicou a Ode à Polônia, que
obteve crítica favorável de
Machado de Assis. Três anos depois,
apresentou o drama Os destinos, que foi assistida
pelo Imperador D. Pedro II. Completou o bacharelado
pela Faculdade de Direito do Recife (PE),
em 1870. Teve fundamental atuação
na promulgação da Lei Áurea,
no Brasil. Com a proclamação
da República, afastou-se temporariamente
da política. Retornou, logo após,
e exerceu cargos na área diplomática.
Seu nome figura entre os fundadores da Academia
Brasileira de Letras, cabendo-lhe o discurso
inaugural a 20 de julho de 1897. Principais
obras: Campanha abolicionista no Recife (pol.),
1885, reed. 1988, Fundação Joaquim
Nabuco, Recife; Um estadista do império,
Nabuco de Araújo, sua vida, suas opiniões,
sua época (biog.) 1898-1900, 3 v.,
reed. 1975, Nova Aguilar, Rio de Janeiro;
Minha formação, 1900, reed.
1975, Paraula, Porto Alegre; Joaquim Nabuco:
política (colet.), 1982, Ática,
São Paulo.
Castro
Álves
Poeta, teatrólogo,
tradutor. Iniciou os estudos no interior do
estado. Em Salvador, cursou humanidades, estudando
no Ginásio Baiano, onde tornou-se amigo
de Rui Barbosa, com o qual fundou, em 1864,
a Sociedade Abolicionista do Recife. Ingressou
nas faculdades de direito em Salvador (1862)
e em São Paulo (1868) sem, no entanto,
completar os estudos. Em Recife, fundou o
jornal O Futuro com outros intelectuais e
escritores, obtendo grande fama por participar
intensamente das atividades estudantis e literárias,
bem como de manifestações abolicionistas,
tornando-se o poeta mais destacado da causa
anti-escravagista. Nesta cidade, onde viveu
com a atriz Eugênia Câmara, dedicou-se
a traduzir peças teatrais. Escreveu
o texto para teatro Gonzaga, que levou para
São Paulo, com passagem pelo Rio de
Janeiro (1868), onde declamou em público,
alcançando grande sucesso. Na cidade
de São Paulo, já com a saúde
bastante abalada pela tuberculose, sofreu
a perda de um pé num acidente de caça,
em 1869. Retornou à Bahia em 1870 para
se restabelecer, mas não se recuperou,
vindo a falecer aos 24 anos. Embora tivesse
colaborado em inúmeros periódicos,
teve publicado em vida somente o livro Espumas
Flutuantes. Além de intensa obra poética
(muitos de seus poemas foram musicados), deixou
desenhos e caricaturas. Por obra de sua beleza
física, dos arroubos românticos
e dos ideais de liberdade, sua figura é
marcada por uma aura de lenda.