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Influência Africana no Português do Brasil |
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A influência
africana em nossa língua
se deu desde os tempos da
escravidão, quando
os negros eram obrigados a
trabalhar nos engenhos sem
qualquer direito a nada, nem
mesmo a suas próprias
vidas. Com isso, um grande
número de pessoas vieram
de vários locais da
África, trazendo consigo
seu modo de falar e viver,
e seus dialetos próprios.
Os principais grupos que contribuíram
para a nossa língua
falada e escrita foram os
grupos guineano-sudanês
(Guiné e Sudão
Ocidental) e banto (África
Austral).
Segundo Ismael Lima Coutinho:
" Das línguas
por eles faladas deve-se salientar
o nagô ou ioruba (grupo
sudanês), que teve o
seu ponto de irradiação
principalmente na Bahia, como
atesta o vocabulário
regional, e o quimbundo (grupo
banto), em Pernambuco e outros
Estados do Norte, no Rio de
Janeiro, em São Paulo
e Minas Gerais. Esta última,
sobretudo, parece ter exercido
maior influência no
português no Brasil,
por causa do número
quantitativamente maior de
pessoas que a falavam."
Em primeiro lugar, podemos
falar da contribuição
genérica e imprecisa
das línguas africanas,
em colaboração
com o tupi, para a elocução
clara e arrastada do brasileiro,
que alonga as pretônicas.
Considera-se também
como de origem africana a
modificação
do fonema palatal molhado
lh, que se observa na pronúncia
popular de certas regiões
do Brasil: muyé, por
mulher; fiyo, por filho; paya,
por palha , etc.
Outro vestígio deixado
pelos africanos em nossa morfologia
é o prefixo ca = pequeno,
o qual figura em várias
palavras como camundongo,
calunga, caçula, calombo,
cacimba, carimbo, etc.
Com relação
aos bantos, certos traços
apresentam-se aculturados
com elementos sudaneses, ameríndios
e europeus.
Já a influência
da terminologia nagô
estaria presente, quase sempre,
em objetos e crenças
da mítica gêge–iorubana,
que não ingressaram
na linguagem corrente ou no
vocabulário dos escritores
brasileiros, como abedê,
afofiê, agogô,
aiê, alujá, oxexê,
ibá, etc., alcançando
maior penetração
termos como babalorixá
e exu. Mas as divindades de
seus candomblés são
conhecidas do público
brasileiro: Olorun, senhor
do céu; Odudua, a terra;
Obatalá, o rei da brancura
ou da pureza; Iemanjá,
orixá das águas;
Xangô, do trovão;
Ogun, da guerra; Olokun, do
mar; Oyá, do rio Niger;
Oxum, do rio Oxum; Obá,
do rio Obá; Oxóssi,
dos caçadores; Oké,
dos mortos; Orun, o sol; Oxu,
a lua; estes, porém,
não são considerados
orixás. Em outros padrões
de comportamento, há
sinais manifestos dessa influência,
seja na vestimenta, na culinária,
ou nos instrumentos de dança,
como atabaques e tambores,
o agogô e o adjá.
O predomínio dos nagôs
levou a língua ioruba
a ser falada correntemente
por negros e crioulos; os
cultos afro-brasileiros, por
sua vez, foram os responsáveis
pelo peso maior dessa influência,
com a introdução
de uma série de palavras
dessa origem, não só
no vocabulário como
na toponímia.
Dos topônimos quimbundos,
por exemplo, uma das séries
mais representativas é
aquela referente às
habitações em
geral, a saber: Cubatão,
de Kubata, provavelmente,
casa, choupana; mocambo, toca;
quilombo, povoação
fortificada de negros fugidos;
senzala, no sentido de habitação
coletiva de negros; moleque,
rapazote. Das danças:
samba, e marimba ou marimbas,
instrumento musical.
Relação
de algumas palavras de origem
africana
A
abará: bolinho
de feijão.
acará: peixe
de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito
(feijão fradinho).
agogô: instrumento
musical constituído
por uma dupla campânula
de ferro, produzindo dois
sons.
angu: massa
de farinha de trigo ou de
mandioca ou arroz.
B
bangüê: padiola de cipós
trançados na qual se
leva o bagaço da cana.
bangulê: dança
de negros ao som da puíta,
palma e sapateados.
banzar: meditar,
matutar.
banzo: nostalgia
mortal dos negros da África.
banto: nome
do grupo de idiomas africanos
em que a flexão se
faz por prefixos.
batuque: dança com sapateados
e palmas.
banguela: desdentado.
berimbau: instrumento de percussão
com o qual se acompanha a
capoeira.
búzio: concha.
C
cachaça: aguardente.
cachimbo: aparelho para fumar.
cacimba: cova
que recolhe água de
terrenos pantanosos.
Caculé: cidade
da Bahia.
cafife: diz-se
de pessoa que dá azar.
cafuca: centro;
esconderijo.
cafua: cova.
cafuche: irmão do Zumbi.
cafuchi: serra.
cafundó: lugar
afastado, de acesso difícil.
cafuné: carinho.
cafungá: pastor de gado.
calombo: quisto, doença.
calumbá: planta.
calundu: mau
humor.
camundongo: rato.
Candomblé: religião dos
negros iorubás.
candonga: intriga,
mexerico.
canjerê: feitiço,
mandinga.
canjica: papa de milho verde ralado.
carimbo: instrumento de borracha.
catimbau: prática de feitiçaria
.
catunda: sertão.
Cassangue: grupo de negros da África.
caxambu: grande
tambor usado na dança
harmônica.
caxumba: doença
da glândula falias.
chuchu: fruto
comestível.
cubata: choça
de pretos; senzala.
cumba: forte,
valente.
Cumbe: povoação
em Angola.
D
dendê: fruto
do dendezeiro.
dengo: manha,
birra.
diamba: maconha.
E
efó: espécie de guisado
de camarões e ervas,
temperado com azeite de dendê
e pimenta.
Exu: deus
africano de potências
contrárias ao homem.
F
fubá: farinha de milho.
G
guandu: o
mesmo que andu (fruto do anduzeiro),
ou arbusto de flores amarelas,
tipo de feijão comestível.
I
inhame: planta
medicinal e alimentícia
com raiz parecida com o cará.
Iemanjá: deusa
africana, a mãe d’
água dos iorubanos.
iorubano: habitante ou natural de Ioruba
(África).
J
jeribata: alcóol;
aguardente.
jeguedê: dança negra.
jiló: fruto
verde de gosto amargo.
jongo: o
mesmo que samba.
L
libambo: bêbado (pessoas que
se alteram por causa da bebida).
lundu: primitivamente
dança africana.
M
macumba: religião afro-brasileira.
máculo: nódoa, mancha.
malungo: título
que os escravos africanos
davam aos que tinham vindo
no mesmo navio; irmão
de criação.
maracatu: cortejo
carnavalesco que segue uma
mulher que num bastão
leva uma bonequinha enfeitada,
a calunga.
marimba: peixe
do mar.
marimbondo: o mesmo que vespa.
maxixe: fruto
verde.
miçanga: conchas de vidro, variadas
e miúdas.
milonga: certa música ao som
de violão.
mandinga: feitiçaria,
bruxaria.
molambo: pedaço
de pano molhado.
mocambo: habitação muito
pobre.
moleque: negrinho,
menino de pouca idade.
muamba: contrabando.
mucama: escrava
negra especial.
mulunga: árvore.
munguzá: iguaria feita de grãos
de milho cozido, em caldo
açucarado, às
vezes com leite de coco ou
de gado. O mesmo que canjica.
murundu1: montanha ou monte; montículo;
o mesmo que montão.
mutamba: árvore.
muxiba: carne
magra.
muxinga: açoite; bordoada.
muxongo: beijo; carícia.
maassagana: confluência, junção
de rios em Angola.
O
Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
Orixá: divindade
secundário do culto
jejênago, medianeira
que transmite súplicas
dos devotos suprema divindade
desse culto, ídolo
africano.
P
puita: corpo
pesado usado nas embarcações
de pesca em vez fateixa.
Q
quenga: vasilha
feita da metade do coco.
quiabo: fruto
de forma piramidal, verde
e peludo.
quibebe: papa de abóbora ou
de banana.
quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
quibungo: invocado nas cantigas de ninar,
o mesmo que cuca, festa dançante
dos negros.
queimana: iguaria
nordestina feita de gergelim
.
quimbebé: bebida de milho fermentado.
quimbembe: casa
rústica, rancho de
palha.
quimgombô: quiabo.
quitute: comida
fina, iguaria delicada.
quizília: antipatia
ou aborrecimento.
S
samba: dança
cantada de origem africana
de compasso binário
( da língua de Luanda,
semba = umbigada).
senzala: alojamento dos escravos.
soba: chefe
de trigo africana.
T
tanga: pano
que cobre desde o ventre até
as coxas.
tutu: iguaria
de carne de porco salgada,
toicinho, feijão e
farinha de mandioca.
U
urucungo: instrumento musical.
V
vatapá: comida.
X
xendengue: magro, franzino.
Z
zambi ou zambeta: cambaio, torto das
pernas.
zumbi: fantasmas. |
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