"Raras vezes um acontecimento
publico terá attrahido a uma extensa
área da cidade mais gente do que a
inauguração da Avenida Central
attrahio hontem desde pela manhã á
zona urbana, vulgarmente conhecida pelo nome
de ‘centro’. [...]
O facto demonstra o grande interesse da população
pelo importante melhoramento que o actual
Governo lega á Capital do paiz. Esse
interesse, apressamo-nos em dizel-o, é
de todo justificado. O extrangeiro que visitar
agora a nossa Capital ja tem na Avenida um
bello exemplo do progresso material que o
Rio de Janeiro se sente resolvido a realizar."

Em Rio de Janeiro: Uma cidade
no tempo (organizado por Evelyn Furquim Werneck
Lima et al. e editado em 1992 pela Prefeitura
do Rio), lemos:
"Até o final do
século XIX, o centro da cidade do Rio
de Janeiro, Capital Federal da república
do Brasil, tinha a aparência de uma
antiga cidade colonial. [...] Entretanto,
a nova estrutura política do país
exigia a adequação do espaço
urbano às necessidades da economia
braileira, que se integrava ao mercado mundial
através da exportação
de café. [...] Indicado em 1902 para
Prefeito do Distrito Federal, Pereira Passos
foi responsável pela maior reforma
urbana executada até então.
[...] Do ponto de vista econômico, a
remodelação da cidade consistiu
primordialmente na transferência e modernização
do porto do Rio de Janeiro [...] Seguindo
o modelo de outros grandes centros latino-americanos,
priorizou-se a construção de
grandes avenidas que facilitassem a circulação
urbana e embelezassem a cidade. [..] A Av.
Central, atual Av. Rio Branco, rasgou o centro
da cidade no sentido norte-sul, às
custas da demolição de centenas
de casas."
Em 1912, com o falecimento
do Barão do Rio Branco, a Av. Central
recebeu seu nome.
Da primeira geração
de prédios da Av. Rio Branco, sobrevivem:
Banco Central (no número 30, antiga
Casa de Amortização), sede do
Iphan (46, prédio que pertenceu à
Docas de Santos), Casa Simpatia (92, bem estreita
para preservar a adjacente Igreja de Nossa
Senhora da Conceição e Boa Morte),
prédio comercial (155), Clube Naval
(180, esquina com Almirante Barroso) e - na
Cinelândia - Teatro Municipal, Biblioteca
Nacional, Museu Nacional de Belas Artes e
Centro Cultural da Justiça Federal.
Na foto superior, da já
encerrada exposição "Rio
de Janeiro & Buenos Aires - Duas Cidades
Modernas", vemos à esquerda o
antigo Morro do Castelo, que veio a ser demolido
na década de 1920, dando lugar à
Esplanada do Castelo (ou simplesmente "Castelo").
As duas outras fotos circularam na Internet
em um PPS intitulado "O Rio em 1900".
As notícias de jornais antigos foram
obtidas no site O RIO DE JANEIRO ATRAVÉS
DOS JORNAIS de João Marcos Weguelin.
Fotos do Rio Antigo também podem ser
vistas no Fotolog SAUDADES DO RIO.
Até 9 de abril de 2006,
o Centro Cultural da Justiça Federal
(Av. Rio Branco, 241 - Cinelândia) exibe
a exposição de fotos antigas
AVENIDA CENTRAL 1905-2005: IMAGENS DE UM BRASIL
MODERNO NO ACERVO DO INSTITUTO MOREIRA SALLES