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Festas Juninas - Santos Juninos
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Santo
Antônio
Festejado no dia 13 de junho, é
um dos santos de maior devoção
popular tanto no Brasil como em Portugal.
Fernando de Bulhões nasceu em Lisboa
em 15 de agosto de 1195 e faleceu em Pádua,
na Itália, em 13 de junho de 1231.
Recebeu o nome de Antônio ao passar,
em 1220, da Ordem de Santo Agostinho para
a Ordem de São Francisco e é
conhecido como Santo Antônio de
Lisboa ou Santo Antônio de Pádua.
Santo Antônio
era admirado por seus dotes de ótimo
orador, pois quando pregava a palavra de
Deus ela era entendida até mesmo
por estrangeiros. É por assim dizer
o "santo dos milagres", como afirmou
o padre Antônio Vieira em um sermão
de 1663 realizado no Maranhão: "Se
vos adoece o filho, Santo Antônio;
se vos foge um escravo, Santo Antônio;
se requereis o despacho, Santo Antônio;
se aguardais a sentença, Santo Antônio;
se perdeis a menor miudeza de vossa casa,
Santo Antônio; e, talvez se quereis
os bens alheios, Santo Antônio".
É
o santo familiar e protetor dos varejistas
em geral, por isso é comum encontrar
sua figura em estabelecimentos comerciais.
É também o padroeiro das povoações
e dos soldados, pois enfrentou em vida aventuras
guerreiras como soldado português.
Sua influência é marcante entre
o povo brasileiro. Seus devotos, em geral,
não têm em casa uma imagem
grande do santo e preferem levar no bolso
uma pequena para se proteger. É a
ele que as moças ansiosas pedem um
noivo. A prática de colocar o santo
de cabeça para baixo no sereno, amarrada
num esteio, ou de jogá-lo no fundo
do poço até que o pedido seja
atendido, por exemplo, é bastante
comum entre os devotos.
Em homenagem
a Santo Antônio, geralmente realizam-se
duas espécies de rezas e festas:
os responsos, quando ele é invocado
para achar objetos perdidos, e a trezena,
cerimônia que se prolonga com cânticos,
foguetório e comes e bebes de 1 a
13 de junho de cada ano.
O relacionamento entre os devotos e os santos
juninos, principalmente Santo Antônio
e São João, é quase
familiar: cheio de intimidades, chega a
ser, por vezes, irreverente, debochado e
quase obsceno. Esse caráter fica
bastante evidente quando se entra em contato
com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos
feitos a esses santos. Os objetos utilizados
nas simpatias e adivinhações
devem ser virgens, ou seja, estar sendo
usados pela primeira vez, senão…
nada de a simpatia funcionar! Nos primeiros
treze dias de junho, os devotos de Santo
Antônio rezam as trezenas com o intuito
de alcançar graças através
da sua intervenção ou de agradecer
um milagre que o santo tenha realizado.
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São
João
João Batista, primo
de Jesus Cristo, nasceu no dia 24 de junho,
alguns anos antes de seu primo Jesus Cristo,
e morreu em 29 de agosto do ano 31 d.C., na
Palestina. Foi degolado por ordem de Herodes
Antipas a pedido de sua enteada Salomé,
pois a pregação do filho de Santa
Isabel e São Zacarias incomodava a moral
da época. Antes mesmo de Jesus, João
Batista já pregava publicamente às
margens do Rio Jordão. Ele instituiu,
pela prática de purificação
através da imersão na água,
o batismo, tendo inclusive batizado o próprio
Cristo nas águas desse rio.
São João ocupa
papel de destaque nas festas, pois, dentre os
santos de junho, foi ele que deu ao mês
o seu nome (mês de São João)
e é em sua homenagem que se chamam "joaninas"
as festas realizadas no decurso dos seus trinta
dias. O dia 23 de junho, véspera do nascimento
de São João e início dos
festejos, é esperado com especial ansiedade.
Segundo Frei Vicente do Salvador, um dos primeiros
brasileiros a escrever a história de
sua terra, já no ano de 1603 os índios
acudiam a todos os festejos portugueses, em
especial os de São João, por causa
das fogueiras e capelas.
São João é
muito querido por todos, sem distinção
de sexo nem de idade. Moças, velhas,
crianças e homens o fazem de oráculo
nas adivinhações e festejam o
seu dia com fogos de artifício, tiros
e balões coloridos, além dos banhos
coletivos de madrugada. Acende-se uma fogueira
à porta de cada casa para lembrar a fogueira
que Santa Isabel acendeu para avisar Nossa Senhora
do nascimento do seu filho.
São João, segundo
a tradição, adormece no seu dia,
pois se estivesse acordado vendo as fogueiras
que são acesas para homenageá-lo
não resistiria: desceria à Terra
e ela correria o risco de incendiar-se.
A Lenda do surgimento da fogueira:
Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa
Senhora e, por isso, costumavam visitar-se.
Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de
Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que
dentro de algum tempo nasceria seu filho, que
se chamaria João Batista.
Nossa Senhora então perguntou:
__ Como poderei saber do nascimento dessa criança?
__ Vou acender uma fogueira bem grande; assim
você poderá vê-la de longe
e saberá que João nasceu. Mandarei
também erguer um mastro com uma boneca
sobre ele.
Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa
Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois
umas chamas bem vermelhas. Foi à casa
de Isabel e encontrou o menino João Batista,
que mais tarde seria um dos santos mais importantes
da religião católica. Isso se
deu no dia 24 de junho.
A Lenda das bombas de São
João: Antes de São João
nascer, seu pai, São Zacarias, andava
muito triste por não ter filhos. Certa
vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma
luz misteriosa, apareceu à frente de
Zacarias e anunciou que ele seria pai. A alegria
de Zacarias foi tão grande que ele perdeu
a voz desse momento em diante. No dia do nascimento
do filho, perguntaram a Zacarias como a criança
se chamaria. Fazendo um grande esforço,
ele respondeu "João" e a partir
daí recuperou a voz. Todos fizeram um
barulhão enorme. Eram vivas para todos
os lados.
Vem daí o costume de as bombinhas, tão
apreciadas pelas crianças, fazerem parte
dos festejos juninos
A festa de São João:
Em festa de São João, na maioria
das regiões brasileiras, não faltam
fogos de artifício, fogueira, muita comida
(o bolo de São João, principalmente
nos bairros rurais, é essencial), bebida
e danças típicas de cada localidade.
No Nordeste, por exemplo, essa
festa é tão tradicional que no
dia 23 de junho, depois do meio-dia, em algumas
localidades ninguém mais trabalha. Enfeitam-se
sítios, fazendas e ruas com bandeirolas
coloridas para a grande festa da véspera
de São João. Prepara-se a lenha
para a grande fogueira, onde serão assados
batata-doce, mandioca, cebola do reino e milho.
Em torno dela sentam-se os familiares de sangue
e de fogueira.
O formato da fogueira varia de
lugar para lugar: pode ser quadrada, piramidal,
empilhada… Quanto mais alta, maior é
o prestígio de quem a armou. Os balões
levam, segundo os devotos, os pedidos para o
santo. Quando a fogueira começa a queimar,
o mastro, que recebeu a bandeira do santo homenageado,
já se encontra preparado. Ele é
levantado enquanto se fazem preces, pedidos
e simpatias.
Depois do levantamento do mastro, tem início
a queima de fogos, soltam-se os busca-pés
e as bombinhas. A arvorezinha, também
chamada de mastro, que é plantada em
frente às casas e, no lugar da festa,
é plantada perto da fogueira, está
enfeitada com laranja, milho verde, coco, presentes,
garrafas, etc.
A cerimônia do banho varia
de uma região para outra. No Mato Grosso,
por exemplo, não são as pessoas
que se banham nos rios, e sim a imagem do santo.
Na Região Norte, principalmente em Belém
e Manaus, o banho-de-cheiro faz parte das tradições
juninas. A preparação do banho
de São João inicia-se alguns dias
antes da festa. Trevos, ervas e cipós
são pisados, raízes e paus são
ralados dentro de uma bacia ou cuia com água
e depois guardados em garrafas até o
momento do banho. Chegada a hora da cerimônia,
os devotos lavam e esfregam o corpo com esses
ingredientes. Acredita-se que o banho-de-cheiro
tenha o poder mágico de trazer muita
felicidade às pessoas que o praticam.
As danças regionais, o
som de violas, rabecas e sanfonas, o banho do
santo, o ato de pular a fogueira, a fartura
de alimentos e bebidas - tudo isso transforma
a festa de São João numa noite
de encantamento que inspira amores e indica
a sorte de seus participantes. No fim da festa,
todos pisam as brasas da fogueira para demonstrar
sua devoção.
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|  São
Pedro
São Pedro, o apóstolo e o pescador
do lago de Genezareth, cativa seus devotos pela
história pessoal. Homem de origem humilde,
ele foi apóstolo de Cristo e depois encarregado
de fundar a Igreja Católica, tendo sido
seu primeiro papa.
Considerado o protetor das viúvas
e dos pescadores, São Pedro é festejado
no dia 29 de junho com a realização
de grandes procissões marítimas
em várias cidades do Brasil. Em terra,
os fogos e o pau-de-sebo são as principais
atrações de sua festa.
Depois de sua morte, São Pedro, segundo
a tradição católica, foi
nomeado chaveiro do céu. Assim, para entrar
no céu, é necessário que
São Pedro abra as portas. Também
lhe é atribuída a responsabilidade
de fazer chover. Quando começa a trovejar,
e as crianças choram com medo, é
costume acalmá-las dizendo: "É
a barriga de São Pedro que está
roncando" ou "ele está mudando
os móveis de lugar".
No dia de São Pedro, todos
os que receberam seu nome devem acender fogueiras
na porta de suas casas. Além disso, se
alguém amarrar uma fita no braço
de alguém chamado Pedro, ele tem a obrigação
de dar um presente ou pagar uma bebida àquele
que o amarrou, em homenagem ao santo.
A festa de São Pedro: Em
homenagem ao santo, acendem-se fogueiras, erguem-se
mastros com sua bandeira e queimam-se fogos, porém
não há na noite de 29 de junho a
mesma empolgação presente na festa
de São João.
Também se fazem procissões terrestres,
organizadas pelas viúvas, e fluviais, pois,
como vimos, São Pedro é o protetor
dos pescadores e das viúvas. Em várias
regiões do Brasil, a brincadeira mais comum
na festa é a do pau-de-sebo.
Embora São Paulo também seja homenageado
em 29 de junho, ele não é figura
de destaque nas festividades desse mês.
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