| O português
é a língua oficial do Brasil. Com
exceção das línguas indígenas
faladas por pequenos grupos em reservas localizadas
em áreas remotas, o português constitui
a única língua do dia-a-dia. O Brasil
é o único país de língua
portuguesa na América do Sul.
Zonas
dialetais brasileiras
A fala popular brasileira apresenta uma relativa
unidade, maior ainda do que a da portuguesa, o
que surpreende em se tratando de um pais tão
vasto. A comparação das variedades
dialetais brasileiras com as portuguesas leva
à conclusão de que aquelas representam
em conjunto um sincretismo destas, já que
quase todos os traços regionais ou do português
padrão europeu que não aparecem
na língua culta brasileira são encontrados
em algum dialeto do Brasil.
A insuficiência de informações
rigorosamente científicas e completas sobre
as diferenças que separam as variedades
regionais existentes no Brasil não permite
classificá-las em bases semelhantes às
que foram adotadas na classificacão dos
dialetos do português europeu. Existe, em
caráter provisório, uma proposta
de classificação de conjunto que
se baseia - como no caso do português europeu
- em diferenças de pronúncia (basicamente
no grau de abertura na pronúncia das vogais,
como em pEgar, onde o "e" pode ser aberto
ou fechado, e na cadência da fala).
História
da língua no Brasil
No início
da colonização portuguesa no Brasil
(a partir da descoberta, em 1500), o tupi
(mais precisamente, o tupinambá, uma língua
do litoral brasileiro da família tupi-guarani)
foi usado como língua geral na colônia,
ao lado do português, principalmente graças
aos padres jesuítas que haviam estudado
e difundido a língua. Em 1757, a utilização
do tupi foi proibida por uma Provisão Real.
Tal medida foi possível porque, a essa
altura, o tupi já estava sendo suplantado
pelo português, em virtude da chegada de
muitos imigrantes da metrópole. Com a expulsão
dos jesuítas em 1759, o português
fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil.
Das línguas indígenas, o português
herdou palavras ligadas à flora e à
fauna (abacaxi, mandioca, caju, tatu, piranha),
bem como nomes próprios e geográficos.
Com o fluxo de escravos trazidos da África,
a língua falada na colônia recebeu
novas contribuições. A influência
africana no português do Brasil, que em
alguns casos chegou também à Europa,
veio principalmente do iorubá, falado pelos
negros vindos da Nigéria (vocabulário
ligado à religião e à cozinha
afrobrasileiras), e do quimbundo angolano (palavras
como caçula, moleque e samba).
Um novo afastamento entre o português brasileiro
e o europeu aconteceu quando a língua falada
no Brasil colonial não acompanhou as mudanças
ocorridas no falar português (principalmente
por influência francesa) durante o século
XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à
maneira de pronunciar da época da descoberta.
Uma reaproximação ocorreu entre
1808 e 1821, quando a família real portuguesa,
em razão da invasão do país
pelas tropas de Napoleão Bonaparte, transferiu-se
para o Brasil com toda sua corte, ocasionando
um reaportuguesamento intenso da língua
falada nas grandes cidades.
Após a independência (1822), o português
falado no Brasil sofreu influências de imigrantes
europeus que se instalaram no centro e sul do
país. Isso explica certas modalidades de
pronúncia e algumas mudanças superficiais
de léxico que existem entre as regiões
do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório
que cada uma recebeu.
No século XX, a distância entre as
variantes portuguesa e brasileira do português
aumentou em razão dos avanços tecnológicos
do período: não existindo um procedimento
unificado para a incorporação de
novos termos à língua, certas palavras
passaram a ter formas diferentes nos dois países
(comboio e trem, autocarro e ônibus, pedágio
e portagem). Além disso, o individualismo
e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico
do início do século intensificaram
o projeto de criação de uma literatura
nacional expressa na variedade brasileira da língua
portuguesa, argumento retomado pelos modernistas
que defendiam, em 1922, a necessidade de romper
com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar
as peculiaridades do falar brasileiro. A abertura
conquistada pelos modernistas consagrou literariamente
a norma brasileira.
Fonte:
Língua Portuguesa
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